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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Carta para todo corpo funcional da Polícia Penal



Policiais Penais, área administrativa, saúde e técnica!



Estou aqui, no meio do planejamento da nossa campanha, e veio aquele pensamento que quer nos parar. Aquela sensação de que tudo está perdido, de que não tem jeito.


Mas eu não aceito isso.


E quero saber: isso também acontece com você?


Sei que não estou sozinho nessa. Como todos sabem, trato uma depressão, síndrome do pânico e transtorno de ansiedade. E mesmo assim estou aqui. Não porque sou forte — mas porque desistir nunca foi opção. As feridas dessa guerra são muitas, mas a luta não acaba enquanto houver um de nós de pé.


Este período eleitoral desperta paixões que passam por cima da razão. E passam por cima também do sentimento de autocuidado. A gente se entrega, se doa, se esquece. E no meio do fogo cruzado das disputas, esquecemos do essencial: **nós mesmos.**


Estamos num período decisivo. O futuro da nossa categoria está em jogo por mais 4 anos. Hoje não temos representação na Alesp. Não temos na Câmara Federal. Enquanto isso, o crime se organiza, o governo se organiza, e nós — que carregamos o peso real da segurança pública — seguimos divididos, desgastados, sangrando.


Isso vale para cada um de vocês. **Não importa se você está na ponta, na administração, na saúde ou na técnica.** Todos nós carregamos o mesmo fardo. Todos nós sentimos na pele o descaso. Todos nós merecemos ser cuidados.


As duas mortes que tivemos recentemente — uma por suicídio, outra por assassinato — ferem diretamente a alma. Falei com os familiares do Tarso e do Luciano. Ouvi os relatos. E confesso: desabei. A falta que eles vão fazer para suas famílias, o vazio que fica... são muitos anos de luta e as histórias vão se repetindo.


Cuidamos de pessoas todos os dias. Mas quem cuida de nós?


Não podemos continuar neste ciclo.


Vejo os comentários: a categoria ainda não acordou para a união em torno da sua própria valorização. Vejo as críticas entre direita e esquerda nos paralisando, nos enfraquecendo. Vejo o descaso com as famílias que perdem seus entes — seja pela violência do sistema, seja pelo abandono do Estado.


**A política deveria nos unir, não nos separar.** As diferenças de visão existem, mas o propósito maior — a valorização da nossa categoria e a proteção das nossas famílias — precisa estar acima de tudo.


Precisamos nos unir. Ter propósito. E não dá para caminhar sozinho nesta guerra.


Preciso de ajuda de vocês. Tenho que mudar este quadro. Estou aqui, com muitas feridas, mas estou aqui. E não vou desistir.


Se esse sentimento que estou passando agora é o mesmo que vocês sentem — e eu sei que é — então vamos juntos. Não dá mais para esperar. Os obstáculos são muitos, mas a gente sempre superou cada um deles. Sempre.


Chega de ciclos que se repetem. Chega de enterrar nossos colegas. Chega de luto.


Vamos construir uma força que ninguém vai conseguir ignorar.


Com vocês, pela categoria.


Fabio Jabá


Pré-candidato a Deputado Estadual

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O teatro da classificação: o gesto, o discurso e o vazio de 4 anos

O teatro da classificação: o gesto, o discurso e o vazio de 4 anos


Por Fabio Jabá — Presidente do SINPPENAL


O governador Tarcísio de Freitas publicou uma declaração enfática em suas redes sociais: "PCC e CV não são facções: são terroristas armados contra o povo brasileiro e com atuação além das nossas fronteiras. Quem domina territórios, impõe toque de recolher, mata inocentes e desafia o Estado pratica terror." A frase, de tom duro e combativo, foi acompanhada de parabéns ao senador Flávio Bolsonaro pela "articulação firme e necessária". O gesto internacional — a classificação das facções como organizações terroristas pelo governo Trump — foi saudado como "oportunidade" pelo Palácio dos Bandeirantes.



O problema é que, após quatro anos de mandato — com maioria folgada na Alesp, orçamento bilionário e poder de iniciativa —, o governo de São Paulo não apresentou nenhum plano estruturado para desarticular o PCC dentro do sistema prisional onde a facção nasceu, se fortaleceu e de onde continua operando. A pergunta que a postagem não responde é simples: se o governador realmente acredita no que escreveu, por que em quatro anos não fez o básico?


**A dança do discurso**


A distância entre o discurso e a ação é a marca registrada dessa gestão no campo da segurança pública. Em setembro de 2025, diante da crise do metanol adulterado que deixou dezenas de vítimas, Tarcísio foi categórico: "não há evidências de participação do PCC, nem tudo é PCC." Em dezembro do mesmo ano, durante o balanço de governo, afirmou que a facção "não controla mais os presídios" — declaração que o SINPPENAL classificou como "realidade paralela". Agora, em maio de 2026, o tom é outro: o PCC é "terrorista" e merece tratamento implacável. A mesma organização que antes "não tinha evidências" de envolvimento com o metanol agora é descrita como força terrorista transnacional.


Em cada ocasião, o discurso se adapta ao palanque. O que não muda é a ausência de ações estruturais consistentes.


**Os números que a postagem não mostra**


Enquanto o governador discursa, os dados do sistema prisional paulista contam uma história muito diferente:


- População carcerária: 228.122 detentos

- Policiais penais ativos: 23.282

- Proporção real: 1 policial para cada 16 presos

- Recomendação do CNPCP: 1 para cada 5 presos

- Déficit de efetivo: 38%

- Cargos congelados: 5.220

- Cargos extintos na prática: mais de 12 mil

- Queda do efetivo na gestão: de 26.053 para 24.726

- Policiais perdidos só em 2026: 261 em 3 meses

- DEJEPs mensais: 26.700 — mais que o efetivo ativo


O secretário Marcello Streifinger confirmou na Alesp: não haverá reposição de efetivo em 2026. Novos concursados, se vierem, chegarão apenas em 2028. O governo anunciou reajuste de 10% e bônus para as polícias Militar, Civil e Técnico-Científica, mas excluiu deliberadamente a Polícia Penal — uma decisão política, como reconheceram deputados da base governista na própria Alesp. Tarcísio também não aderiu ao programa Brasil Contra o Crime Organizado, do governo federal, que disponibiliza verbas para reforço da segurança nas unidades prisionais.


O sistema se sustenta precariamente com 26.700 Diárias Especiais por Jornada Extraordinária (DEJEPs) por mês — número superior ao próprio efetivo ativo. É o esgotamento físico e mental dos policiais penais subsidiando a "eficiência orçamentária" tantas vezes celebrada pelo Palácio dos Bandeirantes. Os suicídios entre policiais penais, que já superam em 2026 os números do ano anterior, são a face mais trágica dessa equação. Cada policial morto pela exaustão é uma vida que o sistema deixou para trás.


**O alerta dos especialistas — ignorado**


O promotor Lincoln Gakiya, um dos maiores inimigos do PCC no Brasil, que vive sob ameaça constante justamente por investigar a facção, já alertou: classificar as facções como terroristas pode, na prática, prejudicar o combate a elas. Com a mudança, a cooperação entre os órgãos brasileiros, o FBI e a DEA é encerrada, e as investigações passam para a alçada da CIA. E como demonstram as experiências internacionais — incluindo o Comitê Kerry do Senado Americano (1989), que documentou pagamentos da CIA a traficantes conhecidos e a ocultação de suas atividades —, a agência não compartilha informações com agências nacionais e possui largo histórico de conivência com o narcotráfico.


Gakiya e outros especialistas são claros: longe dos discursos inflamados, das declarações bombásticas e dos vernizes ideológicos, o combate ao crime organizado exige um trabalho persistente, tenaz e, por vezes, silencioso. Não existem soluções mágicas ou balas de prata. Mas os especialistas são ignorados. O que importa é o gesto.


**Os aliados que atuam na contramão**


Os defensores da medida têm um histórico no mínimo contraditório:


O deputado Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança de Tarcísio e um dos principais aliados do governador, como relator do PL Antifacção, alterou o texto para dificultar o confisco de bens dos líderes das facções e tentou reduzir o poder de investigação da Polícia Federal. Na Câmara, foi ele quem retirou do texto a classificação das facções como terroristas.


O senador Flávio Bolsonaro, que foi pessoalmente a Donald Trump pedir a classificação, não a defendeu durante a votação no Senado — o PL Antifacção foi aprovado sem a equiparação a terrorismo, e ele não moveu uma palha para incluí-la.


Tarcísio de Freitas não repõe efetivo, não valoriza a Polícia Penal, não adere a programas federais de enfrentamento ao crime e exclui os policiais penais do reajuste concedido às demais forças de segurança.


A pergunta que fica é: quando os defensores da classificação ignoram a avaliação de quem realmente enfrenta o crime organizado — como Gakiya, que mesmo sob ameaça à vida segue investigando — será que querem mesmo combater as facções, ou estão mais interessados em um discurso vazio que ecoe bem entre suas bases eleitorais?


**Cadê o plano?**


Não se enfrenta uma organização que nasceu nos presídios paulistas na década de 1990, cresceu com a superlotação e o abandono estatal, e hoje movimenta bilhões — como demonstrou a Operação Carbono Oculto, com R$ 7,6 bilhões em sonegação de impostos — com postagens de rede social ou carimbos estrangeiros.


O SINPPENAL tem dito e repete: classificar o PCC como terrorista diante desse quadro não é enfrentamento. É tentar resolver com um selo internacional um problema que exige recomposição de efetivo, valorização profissional e presença real do Estado dentro dos presídios. Enquanto um policial penal precisar dar conta de três pavilhões com 300 presos cada, enquanto a mediação entre agente e detento for feita por faccionados, enquanto não houver concurso, reajuste e plano de carreira, não há classificação que resolva.


O gesto é internacional. A inação é doméstica. E o sistema prisional paulista — com 228 mil presos, 38% de déficit de agentes e um policial esgotado para cada 16 detentos — continua pagando a conta.


Quatro anos depois, a pergunta continua sem resposta:


Se o governador realmente acredita que PCC e CV são "terroristas armados contra o povo brasileiro", cadê o plano? Cadê o efetivo? Cadê a valorização de quem está na linha de frente desse combate?


Enquanto a resposta não vier, o discurso continuará sendo exatamente o que é: um teatro. E os policiais penais de São Paulo — que estão nos presídios todos os dias, sem respaldo, sem reconhecimento e sem estrutura — continuarão sendo os únicos a pagar o preço real dessa encenação.

domingo, 24 de maio de 2026

O Martelo da Opressão Vai Quebrar: 4 Anos de Desmonte e a Resposta da Polícia Penal em 2026

O tempo das falsas promessas de 2022 finalmente acabou. Quem esteve na linha de frente do sistema prisional paulista nesses últimos quatro anos sabe muito bem o peso da realidade, bem longe da propaganda oficial. Foram anos de trincheira, aguentando o desmonte da nossa segurança e vendo de perto o avanço do crime organizado, enquanto o governo fingia que a segurança pública não era responsabilidade dele.

Enquanto a Polícia Penal enfrenta o crime organizado real nas galerias, o governo se esconde em uma bolha de fantasia onde tudo é perfeito.

A nossa realidade foi bem diferente dos discursos políticos. Foram quatro anos engolindo uma regulamentação que, longe de ser a nossa valorização histórica, veio trazendo perdas severas e retirando direitos. Assistimos ao custo de vida disparar enquanto a terceirização avançava feito praga, precarizando o sistema e sufocando quem realmente carrega o piano. Por trás dos muros, o sentimento de sermos esquecidos, humilhados e esmagados pela máquina pública foi a nossa rotina diária.

O Retrato da Ilusão vs. O Martelo do Desmonte

Se olharmos para trás, o cenário desenhado desde 2022 foi de um massacre silencioso. O "martelo pesado" do governo não bateu apenas na estrutura física; ele tentou esmagar a dignidade e o sustento dos operadores do sistema através do corte de custos cego e da falta de compromisso com quem arrisca a vida todos os dias.

O Palácio dos Bandeirantes usou o martelo da terceirização para tentar esmagar a dignidade da nossa classe.

Eles tentaram nos isolar. Tentaram fazer a opinião pública acreditar que estava tudo bem em seu mundo de maquiagem estatística. Mas esqueceram de um detalhe fundamental que nenhuma máquina de marketing consegue apagar: a força da Polícia Penal unida.Nenhum sistema prisional se sustenta sem os seus homens e mulheres de honra. Nesses quatro anos de humilhação, o que nos manteve de pé foi a solidariedade de classe, a certeza de que a nossa missão é o que garante a paz social do lado de fora.

 A Corrente Inquebrável da Resistência

Tentaram nos esmagar, mas o tiro saiu pela culatra. A opressão gerou a união. Diante do desmonte, a categoria deu as mãos, formando uma corrente humana inquebrável de resistência. E quando uma classe com o tamanho e a importância da nossa decide se unir de verdade, não há martelo autoritário que aguente.

Unidade, Respeito e Justiça! A nossa corrente humana de resistência foi forte o suficiente para despedaçar a opressão.

Nossa força se agigantou. O eco das nossas galerias tomou forma, e as sombras daqueles que tentaram nos diminuir agora tremem diante do tamanho real da nossa mobilização.

2026: O Ano da Resposta Definitiva nas Urnas

Agora, chegamos ao momento decisivo. O calendário marca 2026, e a conta desse descaso chegou. Não vamos mais aceitar migalhas, desvalorização ou tapinhas nas costas seguidos de vetos e perdas salariais. A nossa mobilização já nasceu histórica, e a resposta definitiva será dada onde eles mais temem: nas urnas.

Chegou a hora de tomarmos, definitivamente, as rédeas do nosso próprio destino político. Uma categoria gigante e organizada não pode mais aceitar ser governada por quem não conhece o chão de uma galeria.

O futuro começou: a celebração da eleição dos nossos legítimos representantes na Alesp e no Congresso, e o recado claro nas estradas.

A nossa estratégia mudou porque a nossa força amadureceu. Vamos mostrar o poder da nossa união elegendo nossos próprios representantes legítimos, policiais penais de verdade, para ocupar as cadeiras da Alesp e do Congresso Nacional. Chega de intermediários. É hora de mandar o Tarcísio de volta para o Rio de Janeiro com a certeza de que a Polícia Penal de São Paulo não se curva e sabe votar!

A história prova uma única verdade absoluta: nenhuma opressão, por mais pesada que seja, aguenta uma classe unida e determinada. O futuro do sistema prisional paulista e a dignidade de cada servidor estão, única e exclusivamente, em nossas mãos.

Você está pronto para fazer parte dessa virada histórica e colocar os nossos no poder?

**Deixe seu comentário aqui embaixo, compartilhe este artigo no seu grupo de trabalho e fortaleça a nossa corrente de união!**

#PolíciaPenal #SINPPENAL #SistemaPrisional #ValorizaçãoProfissional #SegurançaPública #FábioJabá #LutaSindical #SãoPaulo #Eleições2026


quinta-feira, 21 de maio de 2026

​A CRÔNICA DO ESQUECIMENTO: COMO A POLÍCIA PENAL É EXCLUÍDA DO SALÁRIO E DOS HOLOFOTES

 ​A CRÔNICA DO ESQUECIMENTO: COMO A POLÍCIA PENAL É EXCLUÍDA DO SALÁRIO E DOS HOLOFOTES

"20 anos produzindo as provas que o crime organizado não consegue destruir — e sendo esquecida nas coletivas, nos discursos e no contracheque"

**Por Fábio Jabá**

*Policial Penal há 25 anos, presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo* 

Maio de 2026. Vinte anos depois dos ataques que pararam São Paulo, a Operação Vérnix prende uma influenciadora famosa e bloqueia R$ 327 milhões. A coletiva de imprensa é montada: microfones posicionados, câmeras ligadas, repórteres a postos. O Ministério Público explica a engenharia financeira. A Polícia Civil detalha a execução das buscas.

Mas ninguém faz a pergunta crucial: quem encontrou a primeira prova?

A resposta não estava nos escritórios climatizados. Foi a Polícia Penal, revirando o esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, ainda em 2019. Sete anos atrás.

Isso não é uma exceção; é o padrão. Há duas décadas, a Polícia Penal produz a inteligência bruta que alimenta as maiores operações contra as facções criminosas no Brasil. E há duas décadas, a categoria recebe o mesmo tratamento em troca: o esquecimento no salário e a invisibilidade nos holofotes.


Esta é a crônica do abandono.

SEÇÃO 1 — A LINHA DO TEMPO DO ESGOTO: 20 ANOS DE PROVAS, 20 ANOS DE INVISIBILIDADE


 Maio de 2006 — O Marco Zero: No dia 11 de maio de 2006, o governo do Estado transferiu 765 presos da principal facção paulista — incluindo sua liderança máxima — para a P2 de Presidente Venceslau. No dia seguinte, véspera do Dia das Mães, a organização desencadeou os maiores ataques coordenados da história de São Paulo. Foram 59 agentes públicos mortos, 67 presídios em rebelião simultânea e uma capital sitiada. Nas duas décadas seguintes, o comando continuou ecoando de dentro das celas. E a Polícia Penal seguiu como a primeira e mais exposta barreira de defesa — e a única sem o devido reconhecimento.

 2016 — Operação Ethos: Policiais penais interceptaram documentos na P2 que revelavam um plano audacioso: infiltrar o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). A facção pagava uma mesada de R$ 5 mil ao vice-presidente do conselho para difamar as forças de segurança, usando advogados como pombos-correios. O resultado: 32 advogados e o vice-presidente do Condepe foram presos. A Polícia Penal achou a prova. Na coletiva de imprensa, não fomos chamados.

 2018 — Operação Echelon: A engenharia da inteligência penitenciária instalou telas nos dutos de esgoto da P2 para "pescar" os bilhetes que os presos tentavam destruir dando descarga. Esses papéis mapearam a estrutura da facção em 14 estados e no exterior. O resultado: 63 presos e uma denúncia de 569 páginas assinada pelo promotor Lincoln Gakiya, que isolou a cúpula em presídios federais. A Polícia Penal viabilizou a inteligência. Na coletiva de imprensa, não fomos chamados.

 2021 — Operação Lado a Lado: Em 2019, durante uma vistoria de rotina, policiais penais encontraram novos manuscritos no esgoto da P2. Eles mencionavam uma "mulher da transportadora" e ordens para um atentado contra um ex-diretor da unidade. A Polícia Civil descobriu que a tal transportadora ao lado do presídio lavava dinheiro do crime. Aqueles bilhetes, descobertos por nós, sustentaram o inquérito em silêncio. A Polícia Penal achou a prova. Na coletiva de imprensa, não fomos chamados.


 2023 — Operação Sequaz:  A Polícia Federal desarticulou um plano para sequestrar e assassinar o senador Sergio Moro, o promotor Lincoln Gakiya e policiais penais. A base de informações que acendeu o alerta e alimentou as investigações saiu diretamente das galerias da P2 de Presidente Venceslau. A Polícia Penal produziu a inteligência de base. Na coletiva da PF, não fomos chamados. O senador agradeceu publicamente às forças de segurança; nós ficamos de fora do discurso.

 *

2024 — A Linha de Fogo Real: Os dois acusados de planejar o atentado contra as autoridades foram executados a facadas dentro da própria P2, em uma queima de arquivo determinada pelo tribunal do crime. Quem controlou o motim, conteve os danos e enfrentou o clima de guerra na linha de frente dentro do pavilhão? A Polícia Penal.


 Maio de 2026 — Operação Vérnix: A operação que hoje choca o país com apreensões de carros de luxo e bloqueios milionários nasceu daqueles mesmos bilhetes tirados do esgoto em 2019. A engrenagem de lavagem de dinheiro começou a ruir pela mão de um policial penal com uma lanterna e uma grade de contenção de detritos. Sete anos de trabalho invisível. E na foto oficial do estouro da operação, a Polícia Penal novamente não apareceu.


 SEÇÃO 2 — A CRONOLOGIA DO ESQUECIMENTO SALARIAL

Se a exclusão dos palanques fere o orgulho profissional, o tratamento dado ao bolso do policial penal atenta contra a dignidade da sua família. A invisibilidade institucional se reflete diretamente na conta bancária.

 2023 — O Primeiro Sinal: O governo estadual anunciou um reajuste de até 20% para as Polícias Civil e Militar. Para a Polícia Penal, o teto foi de apenas 6%. A mensagem política foi dada: não somos considerados prioridade na segurança pública.

 2024 — A Regulamentação da Retirada: Em setembro, celebramos a aprovação da Lei Complementar nº 1.416/2024, a tão sonhada Lei Orgânica da Polícia Penal. Mas a prática revelou o confisco: a lei extinguiu direitos históricos como a sexta parte, o quinquênio e a Ajuda de Custo (AJ). O que foi anunciado como modernização virou desmonte financeiro.

 2025 — O Impacto Real: A lei entrou em vigor e o contracheque sentiu o golpe. Direitos consolidados foram sepultados em nome de um subsídio que rebaixou o poder de compra da categoria.

 Março e Abril de 2026 — A Exclusão Deliberada: O governo enviou à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 226/2026, propondo um novo reajuste de 10% para as forças de segurança. PM e Polícia Civil foram contempladas. A Polícia Penal foi deixada de fora. O deputado Carlos Giannazi apresentou uma emenda para corrigir essa injustiça e incluir a categoria, mas a base do governo rejeitou. O PL foi aprovado sem nós.

No dia 8 de abril de 2026, em oitiva na ALESP, o Secretário da Administração Penitenciária, Marcello Streifinger, tentou justificar o injustificável: *"Os policiais penais não tiveram reajuste por limitação orçamentária"*. Uma limitação seletiva, que só enxerga a nossa categoria, enquanto para as demais polícias o orçamento se mostra flexível.

SEÇÃO 3 — A BALANÇA DO GOVERNO: O QUE VEIO VS. O QUE NÃO VEIO

Para entender a exata dimensão do abandono estrutural, basta olhar o saldo das promessas de gestão dos últimos anos:

| O Que Veio (Com Restrições) | O Que NÃO Veio |

|---|---|

| **GIR e CIR:** Implantados, mas com reduções de diárias e restrições impostas pela secretaria. | **Reajuste Digno:** Negado e vetado nos projetos de lei de 2023 e 2026. |

| **Canis Operacionais:** Criados, mas operando sem a estrutura ideal. | **Direitos Retirados:** Nenhuma reposição para a perda da sexta parte, quinquênio e AJ. |

| **Concurso Público:** Edital de outubro/2025 para 1.100 vagas, com salário inicial defasado de R$ 4.695,60. | **Reconhecimento de Fato:** Inclusão zero nos discursos, nas fotos e no topo da segurança pública. |

SEÇÃO 4 — A EXCEÇÃO QUE CONFIRMA A REGRA

No meio desse deserto de reconhecimento, o promotor de Justiça Dr. Lincoln Gakiya, do GAECO de Presidente Prudente, surge como uma rara voz de honestidade intelectual. Em suas manifestações públicas, ele faz questão de lembrar que a Polícia Penal é uma das suas principais e mais vitais parceiras na asfixia do crime organizado.

Gakiya não faz isso por política ou palanque. Ele vive sob escolta armada há mais de 20 anos e tem sua cabeça encomendada pelas facções. Foi ele quem assinou o pedido de transferência das lideranças em 2018. Ele sabe, por experiência de trincheira, que sem os bilhetes pescados e as vistorias minuciosas feitas pelos policiais penais, as 569 páginas de suas denúncias seriam folhas em branco.

O reconhecimento de quem está na linha de tiro vale mais do que qualquer promessa de campanha. Mas uma única exceção não pode esconder a regra: o sistema político continua nos tratando como fantasmas que guardam as chaves do estado.

SEÇÃO 5 — O MÉRITO É DA NATUREZA DA FUNÇÃO, NÃO DO GOVERNO


Mudaram a nossa farda, alteraram o nosso nome de "agente penitenciário" para "policial penal" e nos inseriram no artigo 144 da Constituição Federal através da PEC 372/2017. Mas a verdade é que nenhuma dessas mudanças estruturais foi um presente de governo. O mérito da nossa sobrevivência e da nossa relevância é da regularidade, do suor e do sangue de quem está no chão de fábrica do sistema prisional.

O governo se recusa a admitir a nossa importância porque, se o fizer, terá que confessar que a estabilidade da segurança pública de São Paulo depende diretamente de homens e mulheres que trabalham sem estrutura, com salários defasados e direitos subtraídos.

Segurança real não se faz com coletiva cenográfica ou PowerPoint bem editado. Faz-se no silêncio da galeria, na firmeza do tranca-rua e no enfrentamento diário com o crime, olhando nos olhos do perigo.

SEÇÃO 6 — A COMPROVAÇÃO EM VÍDEO: A HESITAÇÃO E O APAGAMENTO NAS COLETIVAS DA VÉRNIX



Se as palavras que escrevo parecem duras, as imagens oficiais das coletivas da Operação Vérnix servem como a prova material e incontestável do apagamento que denunciamos.

No primeiro registro, ao detalhar o início das investigações da operação, vemos o governador Tarcísio de Freitas gaguejar institucionalmente. A expressão "Polícia Civil" sai de forma natural, fluida. Mas, quando chega o momento de citar a nossa categoria, há uma hesitação clara, uma pausa nítida no ritmo da fala. Fica evidente para quem assiste que a menção à Polícia Penal foi puxada da memória no último segundo, quase como um adendo protocolar para "cumprir tabela" no discurso.

No segundo registro, o cenário consegue ser ainda pior. Durante a coletiva oficial capitaneada pela cúpula da segurança pública e pelo Dr. Nico (SSP), o esquecimento deixa de ser uma hesitação e se torna um apagamento absoluto. Eles dissecam a engenharia financeira, citam o DEINTER 8, parabenizam delegados e exaltam o Ministério Público. No entanto, a força policial que, de fato, meteu a mão na massa no esgoto da P2 lá em 2019 para colher a inteligência bruta que viabilizou todo esse show midiático é sumariamente ignorada. Zero menções. Fomos blindados para fora dos créditos em praça pública.

Esse comportamento escancara a hipocrisia da gestão: na hora de cobrar o risco, somos linha de frente; na hora de dividir os louros do sucesso e conceder reajustes salariais justos, somos invisíveis.

SEÇÃO 7 — É HORA DE ABRIR A CAIXA-PRETA

O ciclo de exploração do nosso trabalho precisa acabar. Não aceitaremos mais a engrenagem que funciona assim:

 1. O Policial Penal encontra a prova material no coração do presídio;

 2. O GAECO e as demais polícias assumem os holofotes da inteligência;

 3. A operação é deflagrada com festejos na grande mídia;

 4. O Policial Penal volta para o plantão seguinte, sem crédito, sem reajuste e lidando com a ala tensionada pela operação.

Nossas Propostas Concretas:

 1. Inclusão Institucional: Participação obrigatória de representantes da Polícia Penal nas coletivas de imprensa de operações originadas no sistema prisional.

 2. Reparação Salarial Imediata: Inclusão imediata da categoria em qualquer política de reajuste das forças de segurança, com revisão das perdas da LC 1.416/2024.

3. Voz para a Inteligência: Criação de canais oficiais de comunicação para a divulgação das ações e apreensões da Polícia Penal.

 4. Valorização de Carreira: Atratividade salarial real frente aos riscos da profissão, e não salários iniciais que beiram o piso de funções de menor risco.

Se um promotor jurado de morte pelo crime organizado tem a coragem de vir a público reconhecer a Polícia Penal, por que o governo do Estado se esconde atrás de gaguejadas e desculpas orçamentárias seletivas?

Não estamos pedindo favores. Estamos exigindo o que é nosso por direito: o salário justo e o lugar na história que nós mesmos escrevemos com a nossa coragem.


quarta-feira, 9 de julho de 2025

9 de Julho: O Espírito da Revolução Constitucionalista e o Desafio Atual das Forças de Segurança


Hoje, São Paulo se lembra da Revolução Constitucionalista de 1932 — não como um simples capítulo da história, mas como um grito que ecoa até os dias de hoje. Naquele 9 de julho, milhares de paulistas, de civis a soldados, levantaram-se com coragem em defesa de algo maior: a Constituição, a liberdade, o direito de escolher um rumo democrático para o Brasil. Não foi um movimento de um lado político, mas sim um clamor de um povo inteiro por respeito e voz.

Quase um século depois, vivemos um novo tipo de conflito — mais silencioso, mas igualmente desafiador. Hoje, muitos dos que juraram proteger a sociedade — policiais civis, militares, penais, guardas, bombeiros — enfrentam não apenas o crime, mas o abandono institucional, a exploração política e a falta de reconhecimento real.

A farda, que deveria ser símbolo de honra, muitas vezes é usada como ferramenta política. O operador de segurança vira massa de manobra, rotulado por ideologias que nem sempre representam sua realidade. O orgulho paulista, aquele mesmo que moveu jovens em 1932, não tem lado A ou lado B. Vai além de partido, bandeira ou discurso. É um sentimento de dignidade, de entrega e de luta por justiça — e isso vale para quem está nas ruas, nas viaturas, nos plantões, nos presídios.

Hoje, o maior gesto revolucionário que o Estado de São Paulo pode ter é valorizar, de fato, os homens e mulheres que carregam a missão de proteger. Humanizar não é enfraquecer. É fortalecer. Valorizar não é luxo. É necessidade.

Que este 9 de Julho sirva de lembrança: o povo paulista sempre lutou por dignidade, e isso inclui a dignidade dos que arriscam a própria vida para garantir a segurança de todos.

sábado, 21 de junho de 2025

Devocional 21 de Junho "Promessa abençoadora

O Senhor enviará bençãos aos seu celeiros e a tudo que as suas mãos fizerem. O Senhor, seu Deus, os abençoará na terra que dá a vocês! Deuteronômio 28:8

O capítulo de Deuteronômio que contém o verso do devocional de hoje detalha as bênçãos que acompanham a obediência a Deus e as consequências da desobediência ao Senhor. Ele promete de maneira clara que, se o povo obedecesse a Ele e seguisse cuidadosamente os Seus mandamentos, abençoaria todos os aspectos da vida garantindo provisão e prosperidade.

dos israelitas, especialmente na produção do seu trabalho, O fato de Deus prometer abençoar os celeiros e os frutos das mãos do povo nos ensina que Ele deseja abençoar não apenas a nossa vida espiritual, mas também a nossa vida material e profissional. Ele se preocupa com as nossas necessidades e deseja que vivamos de forma abundante.

E importante notar que a condição para essas bênçãos é a obediência . Reflita: você está vivendo em conformidade com os princípios de Deus no seu dia a dia? Nossa disposição em seguir os Seus caminhos resulta na Sua proteção e bênção sobre os afazeres diários. Ao confiarmos em Deus como o nosso provedor, agimos naturalmente e com diligência nas nossas tarefas, refletindo o caráter honesto e trabalhador do nosso Pai. Reconhecemos que Ele está no controle e que as nossas colheitas são resultado da Sua graça em nossas vidas.

Deus é fiel para abençoar aqueles que O obedecem. Ao meditar nessa promessa, seja encorajado a viver de maneira que honre a Deus, na expectativa de que Ele manifeste as Suas bênçãos em sua vida. Que possamos dedicar tudo o que fazemos ao Senhor, confiantes na Sua provisão de acordo com a Sua vontade e propósito.

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