Policiais Penais, área administrativa, saúde e técnica!
Estou aqui, no meio do planejamento da nossa campanha, e veio aquele pensamento que quer nos parar. Aquela sensação de que tudo está perdido, de que não tem jeito.
Mas eu não aceito isso.
E quero saber: isso também acontece com você?
Sei que não estou sozinho nessa. Como todos sabem, trato uma depressão, síndrome do pânico e transtorno de ansiedade. E mesmo assim estou aqui. Não porque sou forte — mas porque desistir nunca foi opção. As feridas dessa guerra são muitas, mas a luta não acaba enquanto houver um de nós de pé.
Este período eleitoral desperta paixões que passam por cima da razão. E passam por cima também do sentimento de autocuidado. A gente se entrega, se doa, se esquece. E no meio do fogo cruzado das disputas, esquecemos do essencial: **nós mesmos.**
Estamos num período decisivo. O futuro da nossa categoria está em jogo por mais 4 anos. Hoje não temos representação na Alesp. Não temos na Câmara Federal. Enquanto isso, o crime se organiza, o governo se organiza, e nós — que carregamos o peso real da segurança pública — seguimos divididos, desgastados, sangrando.
Isso vale para cada um de vocês. **Não importa se você está na ponta, na administração, na saúde ou na técnica.** Todos nós carregamos o mesmo fardo. Todos nós sentimos na pele o descaso. Todos nós merecemos ser cuidados.
As duas mortes que tivemos recentemente — uma por suicídio, outra por assassinato — ferem diretamente a alma. Falei com os familiares do Tarso e do Luciano. Ouvi os relatos. E confesso: desabei. A falta que eles vão fazer para suas famílias, o vazio que fica... são muitos anos de luta e as histórias vão se repetindo.
Cuidamos de pessoas todos os dias. Mas quem cuida de nós?
Não podemos continuar neste ciclo.
Vejo os comentários: a categoria ainda não acordou para a união em torno da sua própria valorização. Vejo as críticas entre direita e esquerda nos paralisando, nos enfraquecendo. Vejo o descaso com as famílias que perdem seus entes — seja pela violência do sistema, seja pelo abandono do Estado.
**A política deveria nos unir, não nos separar.** As diferenças de visão existem, mas o propósito maior — a valorização da nossa categoria e a proteção das nossas famílias — precisa estar acima de tudo.
Precisamos nos unir. Ter propósito. E não dá para caminhar sozinho nesta guerra.
Preciso de ajuda de vocês. Tenho que mudar este quadro. Estou aqui, com muitas feridas, mas estou aqui. E não vou desistir.
Se esse sentimento que estou passando agora é o mesmo que vocês sentem — e eu sei que é — então vamos juntos. Não dá mais para esperar. Os obstáculos são muitos, mas a gente sempre superou cada um deles. Sempre.
Chega de ciclos que se repetem. Chega de enterrar nossos colegas. Chega de luto.
Vamos construir uma força que ninguém vai conseguir ignorar.
O teatro da classificação: o gesto, o discurso e o vazio de 4 anos
Por Fabio Jabá — Presidente do SINPPENAL
O governador Tarcísio de Freitas publicou uma declaração enfática em suas redes sociais: "PCC e CV não são facções: são terroristas armados contra o povo brasileiro e com atuação além das nossas fronteiras. Quem domina territórios, impõe toque de recolher, mata inocentes e desafia o Estado pratica terror." A frase, de tom duro e combativo, foi acompanhada de parabéns ao senador Flávio Bolsonaro pela "articulação firme e necessária". O gesto internacional — a classificação das facções como organizações terroristas pelo governo Trump — foi saudado como "oportunidade" pelo Palácio dos Bandeirantes.
O problema é que, após quatro anos de mandato — com maioria folgada na Alesp, orçamento bilionário e poder de iniciativa —, o governo de São Paulo não apresentou nenhum plano estruturado para desarticular o PCC dentro do sistema prisional onde a facção nasceu, se fortaleceu e de onde continua operando. A pergunta que a postagem não responde é simples: se o governador realmente acredita no que escreveu, por que em quatro anos não fez o básico?
**A dança do discurso**
A distância entre o discurso e a ação é a marca registrada dessa gestão no campo da segurança pública. Em setembro de 2025, diante da crise do metanol adulterado que deixou dezenas de vítimas, Tarcísio foi categórico: "não há evidências de participação do PCC, nem tudo é PCC." Em dezembro do mesmo ano, durante o balanço de governo, afirmou que a facção "não controla mais os presídios" — declaração que o SINPPENAL classificou como "realidade paralela". Agora, em maio de 2026, o tom é outro: o PCC é "terrorista" e merece tratamento implacável. A mesma organização que antes "não tinha evidências" de envolvimento com o metanol agora é descrita como força terrorista transnacional.
Em cada ocasião, o discurso se adapta ao palanque. O que não muda é a ausência de ações estruturais consistentes.
**Os números que a postagem não mostra**
Enquanto o governador discursa, os dados do sistema prisional paulista contam uma história muito diferente:
- População carcerária: 228.122 detentos
- Policiais penais ativos: 23.282
- Proporção real: 1 policial para cada 16 presos
- Recomendação do CNPCP: 1 para cada 5 presos
- Déficit de efetivo: 38%
- Cargos congelados: 5.220
- Cargos extintos na prática: mais de 12 mil
- Queda do efetivo na gestão: de 26.053 para 24.726
- Policiais perdidos só em 2026: 261 em 3 meses
- DEJEPs mensais: 26.700 — mais que o efetivo ativo
O secretário Marcello Streifinger confirmou na Alesp: não haverá reposição de efetivo em 2026. Novos concursados, se vierem, chegarão apenas em 2028. O governo anunciou reajuste de 10% e bônus para as polícias Militar, Civil e Técnico-Científica, mas excluiu deliberadamente a Polícia Penal — uma decisão política, como reconheceram deputados da base governista na própria Alesp. Tarcísio também não aderiu ao programa Brasil Contra o Crime Organizado, do governo federal, que disponibiliza verbas para reforço da segurança nas unidades prisionais.
O sistema se sustenta precariamente com 26.700 Diárias Especiais por Jornada Extraordinária (DEJEPs) por mês — número superior ao próprio efetivo ativo. É o esgotamento físico e mental dos policiais penais subsidiando a "eficiência orçamentária" tantas vezes celebrada pelo Palácio dos Bandeirantes. Os suicídios entre policiais penais, que já superam em 2026 os números do ano anterior, são a face mais trágica dessa equação. Cada policial morto pela exaustão é uma vida que o sistema deixou para trás.
**O alerta dos especialistas — ignorado**
O promotor Lincoln Gakiya, um dos maiores inimigos do PCC no Brasil, que vive sob ameaça constante justamente por investigar a facção, já alertou: classificar as facções como terroristas pode, na prática, prejudicar o combate a elas. Com a mudança, a cooperação entre os órgãos brasileiros, o FBI e a DEA é encerrada, e as investigações passam para a alçada da CIA. E como demonstram as experiências internacionais — incluindo o Comitê Kerry do Senado Americano (1989), que documentou pagamentos da CIA a traficantes conhecidos e a ocultação de suas atividades —, a agência não compartilha informações com agências nacionais e possui largo histórico de conivência com o narcotráfico.
Gakiya e outros especialistas são claros: longe dos discursos inflamados, das declarações bombásticas e dos vernizes ideológicos, o combate ao crime organizado exige um trabalho persistente, tenaz e, por vezes, silencioso. Não existem soluções mágicas ou balas de prata. Mas os especialistas são ignorados. O que importa é o gesto.
**Os aliados que atuam na contramão**
Os defensores da medida têm um histórico no mínimo contraditório:
O deputado Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança de Tarcísio e um dos principais aliados do governador, como relator do PL Antifacção, alterou o texto para dificultar o confisco de bens dos líderes das facções e tentou reduzir o poder de investigação da Polícia Federal. Na Câmara, foi ele quem retirou do texto a classificação das facções como terroristas.
O senador Flávio Bolsonaro, que foi pessoalmente a Donald Trump pedir a classificação, não a defendeu durante a votação no Senado — o PL Antifacção foi aprovado sem a equiparação a terrorismo, e ele não moveu uma palha para incluí-la.
Tarcísio de Freitas não repõe efetivo, não valoriza a Polícia Penal, não adere a programas federais de enfrentamento ao crime e exclui os policiais penais do reajuste concedido às demais forças de segurança.
A pergunta que fica é: quando os defensores da classificação ignoram a avaliação de quem realmente enfrenta o crime organizado — como Gakiya, que mesmo sob ameaça à vida segue investigando — será que querem mesmo combater as facções, ou estão mais interessados em um discurso vazio que ecoe bem entre suas bases eleitorais?
**Cadê o plano?**
Não se enfrenta uma organização que nasceu nos presídios paulistas na década de 1990, cresceu com a superlotação e o abandono estatal, e hoje movimenta bilhões — como demonstrou a Operação Carbono Oculto, com R$ 7,6 bilhões em sonegação de impostos — com postagens de rede social ou carimbos estrangeiros.
O SINPPENAL tem dito e repete: classificar o PCC como terrorista diante desse quadro não é enfrentamento. É tentar resolver com um selo internacional um problema que exige recomposição de efetivo, valorização profissional e presença real do Estado dentro dos presídios. Enquanto um policial penal precisar dar conta de três pavilhões com 300 presos cada, enquanto a mediação entre agente e detento for feita por faccionados, enquanto não houver concurso, reajuste e plano de carreira, não há classificação que resolva.
O gesto é internacional. A inação é doméstica. E o sistema prisional paulista — com 228 mil presos, 38% de déficit de agentes e um policial esgotado para cada 16 detentos — continua pagando a conta.
Quatro anos depois, a pergunta continua sem resposta:
Se o governador realmente acredita que PCC e CV são "terroristas armados contra o povo brasileiro", cadê o plano? Cadê o efetivo? Cadê a valorização de quem está na linha de frente desse combate?
Enquanto a resposta não vier, o discurso continuará sendo exatamente o que é: um teatro. E os policiais penais de São Paulo — que estão nos presídios todos os dias, sem respaldo, sem reconhecimento e sem estrutura — continuarão sendo os únicos a pagar o preço real dessa encenação.
O tempo das falsas promessas de 2022 finalmente acabou. Quem esteve na linha de frente do sistema prisional paulista nesses últimos quatro anos sabe muito bem o peso da realidade, bem longe da propaganda oficial. Foram anos de trincheira, aguentando o desmonte da nossa segurança e vendo de perto o avanço do crime organizado, enquanto o governo fingia que a segurança pública não era responsabilidade dele.
Enquanto a Polícia Penal enfrenta o crime organizado real nas galerias, o governo se esconde em uma bolha de fantasia onde tudo é perfeito.
A nossa realidade foi bem diferente dos discursos políticos. Foram quatro anos engolindo uma regulamentação que, longe de ser a nossa valorização histórica, veio trazendo perdas severas e retirando direitos. Assistimos ao custo de vida disparar enquanto a terceirização avançava feito praga, precarizando o sistema e sufocando quem realmente carrega o piano. Por trás dos muros, o sentimento de sermos esquecidos, humilhados e esmagados pela máquina pública foi a nossa rotina diária.
O Retrato da Ilusão vs. O Martelo do Desmonte
Se olharmos para trás, o cenário desenhado desde 2022 foi de um massacre silencioso. O "martelo pesado" do governo não bateu apenas na estrutura física; ele tentou esmagar a dignidade e o sustento dos operadores do sistema através do corte de custos cego e da falta de compromisso com quem arrisca a vida todos os dias.
O Palácio dos Bandeirantes usou o martelo da terceirização para tentar esmagar a dignidade da nossa classe.
Eles tentaram nos isolar. Tentaram fazer a opinião pública acreditar que estava tudo bem em seu mundo de maquiagem estatística. Mas esqueceram de um detalhe fundamental que nenhuma máquina de marketing consegue apagar: a força da Polícia Penal unida.Nenhum sistema prisional se sustenta sem os seus homens e mulheres de honra. Nesses quatro anos de humilhação, o que nos manteve de pé foi a solidariedade de classe, a certeza de que a nossa missão é o que garante a paz social do lado de fora.
A Corrente Inquebrável da Resistência
Tentaram nos esmagar, mas o tiro saiu pela culatra. A opressão gerou a união. Diante do desmonte, a categoria deu as mãos, formando uma corrente humana inquebrável de resistência. E quando uma classe com o tamanho e a importância da nossa decide se unir de verdade, não há martelo autoritário que aguente.
Unidade, Respeito e Justiça! A nossa corrente humana de resistência foi forte o suficiente para despedaçar a opressão.
Nossa força se agigantou. O eco das nossas galerias tomou forma, e as sombras daqueles que tentaram nos diminuir agora tremem diante do tamanho real da nossa mobilização.
2026: O Ano da Resposta Definitiva nas Urnas
Agora, chegamos ao momento decisivo. O calendário marca 2026, e a conta desse descaso chegou. Não vamos mais aceitar migalhas, desvalorização ou tapinhas nas costas seguidos de vetos e perdas salariais. A nossa mobilização já nasceu histórica, e a resposta definitiva será dada onde eles mais temem: nas urnas.
Chegou a hora de tomarmos, definitivamente, as rédeas do nosso próprio destino político. Uma categoria gigante e organizada não pode mais aceitar ser governada por quem não conhece o chão de uma galeria.
O futuro começou: a celebração da eleição dos nossos legítimos representantes na Alesp e no Congresso, e o recado claro nas estradas.
A nossa estratégia mudou porque a nossa força amadureceu. Vamos mostrar o poder da nossa união elegendo nossos próprios representantes legítimos, policiais penais de verdade, para ocupar as cadeiras da Alesp e do Congresso Nacional. Chega de intermediários. É hora de mandar o Tarcísio de volta para o Rio de Janeiro com a certeza de que a Polícia Penal de São Paulo não se curva e sabe votar!
A história prova uma única verdade absoluta: nenhuma opressão, por mais pesada que seja, aguenta uma classe unida e determinada. O futuro do sistema prisional paulista e a dignidade de cada servidor estão, única e exclusivamente, em nossas mãos.
Você está pronto para fazer parte dessa virada histórica e colocar os nossos no poder?
**Deixe seu comentário aqui embaixo, compartilhe este artigo no seu grupo de trabalho e fortaleça a nossa corrente de união!**
A CRÔNICA DO ESQUECIMENTO: COMO A POLÍCIA PENAL É EXCLUÍDA DO SALÁRIO E DOS HOLOFOTES
"20 anos produzindo as provas que o crime organizado não consegue destruir — e sendo esquecida nas coletivas, nos discursos e no contracheque"
**Por Fábio Jabá**
*Policial Penal há 25 anos, presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo*
Maio de 2026. Vinte anos depois dos ataques que pararam São Paulo, a Operação Vérnix prende uma influenciadora famosa e bloqueia R$ 327 milhões. A coletiva de imprensa é montada: microfones posicionados, câmeras ligadas, repórteres a postos. O Ministério Público explica a engenharia financeira. A Polícia Civil detalha a execução das buscas.
Mas ninguém faz a pergunta crucial: quem encontrou a primeira prova?
A resposta não estava nos escritórios climatizados. Foi a Polícia Penal, revirando o esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, ainda em 2019. Sete anos atrás.
Isso não é uma exceção; é o padrão. Há duas décadas, a Polícia Penal produz a inteligência bruta que alimenta as maiores operações contra as facções criminosas no Brasil. E há duas décadas, a categoria recebe o mesmo tratamento em troca: o esquecimento no salário e a invisibilidade nos holofotes.
Esta é a crônica do abandono.
SEÇÃO 1 — A LINHA DO TEMPO DO ESGOTO: 20 ANOS DE PROVAS, 20 ANOS DE INVISIBILIDADE
Maio de 2006 — O Marco Zero: No dia 11 de maio de 2006, o governo do Estado transferiu 765 presos da principal facção paulista — incluindo sua liderança máxima — para a P2 de Presidente Venceslau. No dia seguinte, véspera do Dia das Mães, a organização desencadeou os maiores ataques coordenados da história de São Paulo. Foram 59 agentes públicos mortos, 67 presídios em rebelião simultânea e uma capital sitiada. Nas duas décadas seguintes, o comando continuou ecoando de dentro das celas. E a Polícia Penal seguiu como a primeira e mais exposta barreira de defesa — e a única sem o devido reconhecimento.
2016 — Operação Ethos: Policiais penais interceptaram documentos na P2 que revelavam um plano audacioso: infiltrar o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). A facção pagava uma mesada de R$ 5 mil ao vice-presidente do conselho para difamar as forças de segurança, usando advogados como pombos-correios. O resultado: 32 advogados e o vice-presidente do Condepe foram presos. A Polícia Penal achou a prova. Na coletiva de imprensa, não fomos chamados.
2018 — Operação Echelon: A engenharia da inteligência penitenciária instalou telas nos dutos de esgoto da P2 para "pescar" os bilhetes que os presos tentavam destruir dando descarga. Esses papéis mapearam a estrutura da facção em 14 estados e no exterior. O resultado: 63 presos e uma denúncia de 569 páginas assinada pelo promotor Lincoln Gakiya, que isolou a cúpula em presídios federais. A Polícia Penal viabilizou a inteligência. Na coletiva de imprensa, não fomos chamados.
2021 — Operação Lado a Lado: Em 2019, durante uma vistoria de rotina, policiais penais encontraram novos manuscritos no esgoto da P2. Eles mencionavam uma "mulher da transportadora" e ordens para um atentado contra um ex-diretor da unidade. A Polícia Civil descobriu que a tal transportadora ao lado do presídio lavava dinheiro do crime. Aqueles bilhetes, descobertos por nós, sustentaram o inquérito em silêncio. A Polícia Penal achou a prova. Na coletiva de imprensa, não fomos chamados.
2023 — Operação Sequaz: A Polícia Federal desarticulou um plano para sequestrar e assassinar o senador Sergio Moro, o promotor Lincoln Gakiya e policiais penais. A base de informações que acendeu o alerta e alimentou as investigações saiu diretamente das galerias da P2 de Presidente Venceslau. A Polícia Penal produziu a inteligência de base. Na coletiva da PF, não fomos chamados. O senador agradeceu publicamente às forças de segurança; nós ficamos de fora do discurso.
*
2024 — A Linha de Fogo Real: Os dois acusados de planejar o atentado contra as autoridades foram executados a facadas dentro da própria P2, em uma queima de arquivo determinada pelo tribunal do crime. Quem controlou o motim, conteve os danos e enfrentou o clima de guerra na linha de frente dentro do pavilhão? A Polícia Penal.
Maio de 2026 — Operação Vérnix: A operação que hoje choca o país com apreensões de carros de luxo e bloqueios milionários nasceu daqueles mesmos bilhetes tirados do esgoto em 2019. A engrenagem de lavagem de dinheiro começou a ruir pela mão de um policial penal com uma lanterna e uma grade de contenção de detritos. Sete anos de trabalho invisível. E na foto oficial do estouro da operação, a Polícia Penal novamente não apareceu.
SEÇÃO 2 — A CRONOLOGIA DO ESQUECIMENTO SALARIAL
Se a exclusão dos palanques fere o orgulho profissional, o tratamento dado ao bolso do policial penal atenta contra a dignidade da sua família. A invisibilidade institucional se reflete diretamente na conta bancária.
2023 — O Primeiro Sinal: O governo estadual anunciou um reajuste de até 20% para as Polícias Civil e Militar. Para a Polícia Penal, o teto foi de apenas 6%. A mensagem política foi dada: não somos considerados prioridade na segurança pública.
2024 — A Regulamentação da Retirada: Em setembro, celebramos a aprovação da Lei Complementar nº 1.416/2024, a tão sonhada Lei Orgânica da Polícia Penal. Mas a prática revelou o confisco: a lei extinguiu direitos históricos como a sexta parte, o quinquênio e a Ajuda de Custo (AJ). O que foi anunciado como modernização virou desmonte financeiro.
2025 — O Impacto Real: A lei entrou em vigor e o contracheque sentiu o golpe. Direitos consolidados foram sepultados em nome de um subsídio que rebaixou o poder de compra da categoria.
Março e Abril de 2026 — A Exclusão Deliberada: O governo enviou à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 226/2026, propondo um novo reajuste de 10% para as forças de segurança. PM e Polícia Civil foram contempladas. A Polícia Penal foi deixada de fora. O deputado Carlos Giannazi apresentou uma emenda para corrigir essa injustiça e incluir a categoria, mas a base do governo rejeitou. O PL foi aprovado sem nós.
No dia 8 de abril de 2026, em oitiva na ALESP, o Secretário da Administração Penitenciária, Marcello Streifinger, tentou justificar o injustificável: *"Os policiais penais não tiveram reajuste por limitação orçamentária"*. Uma limitação seletiva, que só enxerga a nossa categoria, enquanto para as demais polícias o orçamento se mostra flexível.
SEÇÃO 3 — A BALANÇA DO GOVERNO: O QUE VEIO VS. O QUE NÃO VEIO
Para entender a exata dimensão do abandono estrutural, basta olhar o saldo das promessas de gestão dos últimos anos:
| O Que Veio (Com Restrições) | O Que NÃO Veio |
|---|---|
| **GIR e CIR:** Implantados, mas com reduções de diárias e restrições impostas pela secretaria. | **Reajuste Digno:** Negado e vetado nos projetos de lei de 2023 e 2026. |
| **Canis Operacionais:** Criados, mas operando sem a estrutura ideal. | **Direitos Retirados:** Nenhuma reposição para a perda da sexta parte, quinquênio e AJ. |
| **Concurso Público:** Edital de outubro/2025 para 1.100 vagas, com salário inicial defasado de R$ 4.695,60. | **Reconhecimento de Fato:** Inclusão zero nos discursos, nas fotos e no topo da segurança pública. |
SEÇÃO 4 — A EXCEÇÃO QUE CONFIRMA A REGRA
No meio desse deserto de reconhecimento, o promotor de Justiça Dr. Lincoln Gakiya, do GAECO de Presidente Prudente, surge como uma rara voz de honestidade intelectual. Em suas manifestações públicas, ele faz questão de lembrar que a Polícia Penal é uma das suas principais e mais vitais parceiras na asfixia do crime organizado.
Gakiya não faz isso por política ou palanque. Ele vive sob escolta armada há mais de 20 anos e tem sua cabeça encomendada pelas facções. Foi ele quem assinou o pedido de transferência das lideranças em 2018. Ele sabe, por experiência de trincheira, que sem os bilhetes pescados e as vistorias minuciosas feitas pelos policiais penais, as 569 páginas de suas denúncias seriam folhas em branco.
O reconhecimento de quem está na linha de tiro vale mais do que qualquer promessa de campanha. Mas uma única exceção não pode esconder a regra: o sistema político continua nos tratando como fantasmas que guardam as chaves do estado.
SEÇÃO 5 — O MÉRITO É DA NATUREZA DA FUNÇÃO, NÃO DO GOVERNO
Mudaram a nossa farda, alteraram o nosso nome de "agente penitenciário" para "policial penal" e nos inseriram no artigo 144 da Constituição Federal através da PEC 372/2017. Mas a verdade é que nenhuma dessas mudanças estruturais foi um presente de governo. O mérito da nossa sobrevivência e da nossa relevância é da regularidade, do suor e do sangue de quem está no chão de fábrica do sistema prisional.
O governo se recusa a admitir a nossa importância porque, se o fizer, terá que confessar que a estabilidade da segurança pública de São Paulo depende diretamente de homens e mulheres que trabalham sem estrutura, com salários defasados e direitos subtraídos.
Segurança real não se faz com coletiva cenográfica ou PowerPoint bem editado. Faz-se no silêncio da galeria, na firmeza do tranca-rua e no enfrentamento diário com o crime, olhando nos olhos do perigo.
SEÇÃO 6 — A COMPROVAÇÃO EM VÍDEO: A HESITAÇÃO E O APAGAMENTO NAS COLETIVAS DA VÉRNIX
Se as palavras que escrevo parecem duras, as imagens oficiais das coletivas da Operação Vérnix servem como a prova material e incontestável do apagamento que denunciamos.
No primeiro registro, ao detalhar o início das investigações da operação, vemos o governador Tarcísio de Freitas gaguejar institucionalmente. A expressão "Polícia Civil" sai de forma natural, fluida. Mas, quando chega o momento de citar a nossa categoria, há uma hesitação clara, uma pausa nítida no ritmo da fala. Fica evidente para quem assiste que a menção à Polícia Penal foi puxada da memória no último segundo, quase como um adendo protocolar para "cumprir tabela" no discurso.
No segundo registro, o cenário consegue ser ainda pior. Durante a coletiva oficial capitaneada pela cúpula da segurança pública e pelo Dr. Nico (SSP), o esquecimento deixa de ser uma hesitação e se torna um apagamento absoluto. Eles dissecam a engenharia financeira, citam o DEINTER 8, parabenizam delegados e exaltam o Ministério Público. No entanto, a força policial que, de fato, meteu a mão na massa no esgoto da P2 lá em 2019 para colher a inteligência bruta que viabilizou todo esse show midiático é sumariamente ignorada. Zero menções. Fomos blindados para fora dos créditos em praça pública.
Esse comportamento escancara a hipocrisia da gestão: na hora de cobrar o risco, somos linha de frente; na hora de dividir os louros do sucesso e conceder reajustes salariais justos, somos invisíveis.
SEÇÃO 7 — É HORA DE ABRIR A CAIXA-PRETA
O ciclo de exploração do nosso trabalho precisa acabar. Não aceitaremos mais a engrenagem que funciona assim:
1. O Policial Penal encontra a prova material no coração do presídio;
2. O GAECO e as demais polícias assumem os holofotes da inteligência;
3. A operação é deflagrada com festejos na grande mídia;
4. O Policial Penal volta para o plantão seguinte, sem crédito, sem reajuste e lidando com a ala tensionada pela operação.
Nossas Propostas Concretas:
1. Inclusão Institucional: Participação obrigatória de representantes da Polícia Penal nas coletivas de imprensa de operações originadas no sistema prisional.
2. Reparação Salarial Imediata: Inclusão imediata da categoria em qualquer política de reajuste das forças de segurança, com revisão das perdas da LC 1.416/2024.
3. Voz para a Inteligência: Criação de canais oficiais de comunicação para a divulgação das ações e apreensões da Polícia Penal.
4. Valorização de Carreira: Atratividade salarial real frente aos riscos da profissão, e não salários iniciais que beiram o piso de funções de menor risco.
Se um promotor jurado de morte pelo crime organizado tem a coragem de vir a público reconhecer a Polícia Penal, por que o governo do Estado se esconde atrás de gaguejadas e desculpas orçamentárias seletivas?
Não estamos pedindo favores. Estamos exigindo o que é nosso por direito: o salário justo e o lugar na história que nós mesmos escrevemos com a nossa coragem.
Hoje, São Paulo se lembra da Revolução Constitucionalista de 1932 — não como um simples capítulo da história, mas como um grito que ecoa até os dias de hoje. Naquele 9 de julho, milhares de paulistas, de civis a soldados, levantaram-se com coragem em defesa de algo maior: a Constituição, a liberdade, o direito de escolher um rumo democrático para o Brasil. Não foi um movimento de um lado político, mas sim um clamor de um povo inteiro por respeito e voz.
Quase um século depois, vivemos um novo tipo de conflito — mais silencioso, mas igualmente desafiador. Hoje, muitos dos que juraram proteger a sociedade — policiais civis, militares, penais, guardas, bombeiros — enfrentam não apenas o crime, mas o abandono institucional, a exploração política e a falta de reconhecimento real.
A farda, que deveria ser símbolo de honra, muitas vezes é usada como ferramenta política. O operador de segurança vira massa de manobra, rotulado por ideologias que nem sempre representam sua realidade. O orgulho paulista, aquele mesmo que moveu jovens em 1932, não tem lado A ou lado B. Vai além de partido, bandeira ou discurso. É um sentimento de dignidade, de entrega e de luta por justiça — e isso vale para quem está nas ruas, nas viaturas, nos plantões, nos presídios.
Hoje, o maior gesto revolucionário que o Estado de São Paulo pode ter é valorizar, de fato, os homens e mulheres que carregam a missão de proteger. Humanizar não é enfraquecer. É fortalecer. Valorizar não é luxo. É necessidade.
Que este 9 de Julho sirva de lembrança: o povo paulista sempre lutou por dignidade, e isso inclui a dignidade dos que arriscam a própria vida para garantir a segurança de todos.
O Senhor enviará bençãos aos seu celeiros e a tudo que as suas mãos fizerem. O Senhor, seu Deus, os abençoará na terra que dá a vocês! Deuteronômio 28:8
O capítulo de Deuteronômio que contém o verso do devocional de hoje detalha as bênçãos que acompanham a obediência a Deus e as consequências da desobediência ao Senhor. Ele promete de maneira clara que, se o povo obedecesse a Ele e seguisse cuidadosamente os Seus mandamentos, abençoaria todos os aspectos da vida garantindo provisão e prosperidade.
dos israelitas, especialmente na produção do seu trabalho, O fato de Deus prometer abençoar os celeiros e os frutos das mãos do povo nos ensina que Ele deseja abençoar não apenas a nossa vida espiritual, mas também a nossa vida material e profissional. Ele se preocupa com as nossas necessidades e deseja que vivamos de forma abundante.
E importante notar que a condição para essas bênçãos é a obediência . Reflita: você está vivendo em conformidade com os princípios de Deus no seu dia a dia? Nossa disposição em seguir os Seus caminhos resulta na Sua proteção e bênção sobre os afazeres diários. Ao confiarmos em Deus como o nosso provedor, agimos naturalmente e com diligência nas nossas tarefas, refletindo o caráter honesto e trabalhador do nosso Pai. Reconhecemos que Ele está no controle e que as nossas colheitas são resultado da Sua graça em nossas vidas.
Deus é fiel para abençoar aqueles que O obedecem. Ao meditar nessa promessa, seja encorajado a viver de maneira que honre a Deus, na expectativa de que Ele manifeste as Suas bênçãos em sua vida. Que possamos dedicar tudo o que fazemos ao Senhor, confiantes na Sua provisão de acordo com a Sua vontade e propósito.