Pesquisar este blog

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

ARTIGO: CADEIRAS EM "U"

LogoCadeiras em "U"

Escrito po: João Carlos Andrade, Trabalhador da CUT-SP e Educador Sindical

13/12/2013

Compartilhar o conhecimento é a tônica da metodologia da formação
 sindical da CUT. Todos compartilham. Educadores, cursistas, equipe de
 apoio e dirigentes convidados. Para além da sala de aula, muita gente também
compartilha.  Seja  por meio de vídeos ou textos, ou por presença firme e inoxidável
 na memória de quem se encontra  em uma das cadeiras, sempre organizadas em
“U”. Esta disposição do mobiliário incentiva  o olhar nos olhos, principal linha de
transmissão do compartilhamento. No final, tudo se transforma em conhecimento.
 O saber de cada um  ganha uma dimensão coletiva e converge para uma experiência
 única onde as histórias individuais tem seu devido valor. E neste contexto, o individuo
 conta muito.

Não é só passado. É presente. É futuro. Em cada turma, as histórias das lutas
 são remontadas por olhares atenciosos e diversificados  de quem estava lá.
 De gente que sorriu junto, chorou junto, apanhou junto, sofreu e sofre torturas
 físicas e psicológicas para sobreviver trabalhando e lutando. As análises do que
 se passa no mundo contido de cada mente,  ganha pele, sangue, vida e logo estão
 em seu merecido lugar, organizadas num mundo só.  O que está por vir é debatido
 com os pés no chão. Não o chão físico, mas o chão imaginário da fábrica, da
repartição pública, da roça, ou de onde quer que esteja a organização sindical.
Vejo tudo como um grande laboratório cujas experiências são reais. Basta um
 cursista atender o celular que tudo vira realidade e o cotidiano se enfeita de
 novas estratégias, novo jeito de perceber a vida sindical e sua rotina intensa.
  Do outro lado da linha, uma demanda qualquer. Quase sem querer, o Educador
ouve a conversa e logo pensa: Valeu a pena!
Ao fim do dia, depois de esgotado o tempo físico de compartilhamento, se inicia
um novo ciclo. Numa rede mais atrevida, onde as avaliações são sutilmente postadas
 como legenda de fotografias. Trabalhos em grupo, o educador expondo algum
 tema (sempre em  posição anti-fotogênica) e momentos de descontração  são
 as preferidas do Facebook. Vez ou outra surge um retrato cuja a aparência dos
 cursistas não deixa dúvida:  Boca aberta, olhos voltados para o teto e espremidos
 pelo ato mecânico de enrugar a testa e juntar as sobrancelhas, compõem a 
aparência típica de quem está se esforçando ao máximo para imprimir uma opinião.
 Vejo todas, leio tudo e curto tudo. É o meu jeito de valorizar os momentos que os
cursistas mais valorizaram, a ponto de registrar e por na boca do povo, ou melhor,
 nos olhos e nos dedinhos ágeis dos amigos virtuais.
Ao fim de muitos dias, o meu momento predileto. Não por causa do fim em si, mas
 porque me traz o alívio da  tarefa cumprida e materializada no abraço de gratidão
 de cada cursista que carrega numa das mãos o seu diploma. Nem  é um diploma
no sentido usual da palavra. É apenas um certificado, mas significa muito mais do
 que um simples atestado de presença, ausência e conteúdo aplicado. O valor nele
 agregado transpõe convenções habituais. Ele é um símbolo material do nosso
 discurso de que educação é um instrumento de transformação da realidade.
Tenho orgulho em pertencer à Rede Estadual de Formação da CUT-SP e desejo
 que ela se fortaleça ainda mais em 2014.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Total de visualizações de página