Hoje completo 46 anos, agradecendo a Deus por tudo o que vivi até aqui. Tenho um coração muito grato, apesar de todas as dificuldades que enfrentei na infância devido à pobreza e à discriminação. Fui ensinado pela minha falecida mãe, Aparecida, a lutar e vencer.
Na minha cidade natal, Lavínia, vivi até os 21 anos. Tive um comércio, mas acabei quebrando. Minha vida tem sido um aprendizado constante, e aprendi muito principalmente com meus erros. Minha trajetória começou a mudar aos 21 anos, quando entrei para o sistema prisional. Essa escolha foi influenciada pelo meu primeiro trabalho aos 13 anos, quando eu levava comida para a Delegacia de Lavínia. Lá, conheci muitos policiais, entre eles o carcereiro Moisés, hoje investigador aposentado, que me acolheu muito bem e despertou em mim o desejo de ser policial.
Lembro-me de ter feito uma redação na antiga matéria EPT (Educação para o Trabalho), e a professora Sueli Moura – que mais tarde se aposentou como Policial Penal – foi uma grande inspiração para mim.
Aos 21 anos, tomei posse no cargo de agente penitenciário, em 10 de novembro de 2000. Naquele período, eu estava focado em prestar vários concursos. Sempre fui um bom aluno e já era líder na escola, participando de diversas atividades. Costumo dizer que a educação foi um dos pilares fundamentais para minha sobrevivência.
Quando fiz o concurso, meu desejo era passar e ir morar na capital. Confesso que não foi fácil. Estava sozinho, mas antes de tomar posse conheci minha esposa, Eliza. Nosso amor foi arrebatador e, ao chegar em São Paulo, já carregava dentro de mim a vontade de voltar para ela.
Minha unidade foi inaugurada com 96 presos transferidos após uma rebelião no “Piranhão” – como era conhecido o RDD de Taubaté, hoje transformado em um hospital de custódia. Entre os presos, havia também um nome famoso pelo terror de seus crimes: o “Maníaco do Parque”, que ficou no seguro. Muitos já conhecem essa parte da minha história.
Sou grato por todo aprendizado que tive na capital. Fiz muitos amigos que permanecem comigo até hoje. Vivemos momentos difíceis naquela unidade, enfrentando tragédias e muitas mortes causadas pela ascensão do crime organizado. Foram dias sombrios, longe de casa e da mulher que amava, mas ali comecei a ser forjado. Encontrei minha vocação: nasci para ser agente penitenciário e, hoje, sou policial penal.
Consegui retornar para casa, vindo trabalhar na PI de Lavínia. Mais uma vez, o destino me colocou em outra missão. Cansados de ver o crescimento e domínio do PCC na unidade, eu e mais quatro guerreiros decidimos denunciar os abusos. Após muitas tentativas de diálogo sem sucesso, tomamos uma atitude em dezembro de 2004, durante uma festa dos presos.
Muitos ainda se lembram: naquela época, havia festas na unidade. Os próprios presos decoravam a radial, faziam churrasco no dia do evento e colocavam som com CDs de apologia ao crime. Os pavilhões tinham paredes desenhadas com símbolos e padronagens conhecidas, como cigarros de maconha e frases como “Paz, Justiça, Liberdade e Igualdade”.
Tomamos a decisão de denunciar. Não sabia o que estava por vir: perseguições, ameaças, humilhações. Passei pelo famoso “bonde”, fui removido de unidade, mas continuei firme. Após anos de luta, vencemos essa fase.
E então, uma nova missão começou a se desenhar. Devido aos problemas que enfrentei na unidade, comecei a frequentar o Sifuspesp regional de Mirandópolis. Mal sabia eu que estava sendo apresentado a outra vocação. Além de me aprofundar nas leis e regimentos, iniciei um trabalho voluntário, visitando unidades da região e aprendendo sobre essa missão.
Com o passar dos anos, acabei presidindo o Sifuspesp, dando continuidade à luta de muitos que ali passaram. Durante 15 anos fui forjado para chegar ao lugar onde estou hoje. Sempre amei minha profissão, e hoje, como presidente do Sinppenal, tenho orgulho de lutar por minha categoria, que me trouxe dignidade.
Aprendi muito com todas as regras dentro das unidades: ética, respeito e palavra. Passei pelas unidades de Riolândia e Lavínia II, e nunca foi fácil.
Apesar de tudo, sempre houve algo maior que me guiou e protegeu: Deus. Ele esteve comigo em todos os momentos. Fui batizado aos 12 anos pelo pastor Wilson, também Policial Penal, hoje aposentado.
Com o tempo, me afastei da igreja, mas Deus nunca se afastou de mim. Em 2007, após muitas orações, voltei para a vida cristã e aceitei o cargo de coordenador da região de Mirandópolis. E então veio uma das maiores batalhas que já enfrentei: denunciar um pedófilo que era líder da igreja que eu frequentava.
Essa foi, sem dúvida, uma das maiores guerras da minha vida. Mas, em tudo isso, Deus estava comigo. Era mais uma fase da forja. E assim sigo, sempre buscando a justiça.
Ainda há muita história para contar, mas por ora, encerro aqui.
Sou grato a Deus por todo aprendizado que vivi até agora. Agradeço à minha esposa, que me aceitou de volta após dois divórcios. Admito que já errei muito, mas minha vida é um eterno aprendizado.
Chego hoje aos 46 anos. Muitas vezes pensei em desistir, mas no ano passado, retornei aos braços do Pai, único Deus e Senhor da minha vida, que me deu forças para continuar. Estou vencendo doenças, estou vencendo meu eu!
Obrigado, Senhor. Obrigado, família, por me aceitarem de volta. Obrigado, vida!
Sigo lutando pelo ideal da minha categoria. Já me dispus a uma eleição para deputado estadual – e quem me conheceu lá em Lavínia sabe que isso parecia impossível. Confesso que não sou rico, mas minha maior riqueza é o amor de Deus, o amor da minha família e, principalmente, o amor do meu neto, Fábio César – a maior honra da minha vida!
E o melhor de tudo isso? Hoje tenho uma legião de amigos, homens e mulheres de honra, que acreditam e lutam ao meu lado.
Nestes 46 anos vividos, venho apenas agradecer. Minha vida é meu maior presente!
Obrigado, Senhor! Seguimos escrevendo esta história!
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