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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Exposição de fotos mostra o cotidiano de detentos e funcionários de presídios

Exposição de fotos mostra o cotidiano de detentos e funcionários de presídios

Internos e profissionais clicaram mais de 3 mil fotos. Cem imagens estão em exibição

Exposição de fotos mostra o cotidiano de detentos e funcionários de presídios Bruno Alencastro/Agencia RBS
Fotos dos presidiários do Central estão expostas na Usina do GasômetroFoto: Bruno Alencastro / Agencia RBS
Heloisa Aruth Sturm
O cotidiano dos presídios da capital gaúcha é revelado pelo olhar de quem vive essa realidade todos os dias. Assim é a exposição "A Liberdade de Olhar", que reúne cem imagens feitas por detentos e funcionários, resultado de duas oficinas de fotografia realizadas em agosto com internos e profissionais da Penitenciária Feminina Madre Pelletier e do Presídio Central de Porto Alegre.

Fruto de uma ação conjunta do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) e do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, com apoio da Delegação da União Europeia no Brasil, a exibição foi inaugurada neste domingo (1º), na Usina do Gasômetro em conjunto com outras atividades que marcaram o Dia Mundial da Aids. Entre terça-feira e sábado, poderá ser vista na Praça Quinze de Novembro, em frente ao Mercado Público Central.
— Quem não é visto, não é lembrado. Por isso queremos dar visibilidade a esses espaços, convidar as pessoas a experimentarem uma vivência nessa duas casas, entendendo que esta é uma comunidade que tem muito da nossa sociedade aqui fora. A gente percebeu ali muita vontade de fazer diferente, de recomeçar. A proposta da exposição é tentar quebrar estigmas — afirma Nara Santos, oficial de programa para HIV/AIDS da Unodc e coordenadora da exibição.
Ao utilizar imagens que retratam a situação de vulnerabilidade nesses locais, relacionadas tanto à promoção quanto à violação de direitos humanos, abre-se espaço para conscientização e para um amplo debate sobre o tema. Para o diretor do Central, Osvaldo Luiz Machado, oferece uma nova perspectiva para enxergar o cotidiano de uma penitenciária.
— A sociedade vê os presídios como lixões sociais. Essa é uma visão distorcida, porque eles são fruto da sociedade e vão retornar para ela. A exposição mostra o que é o presídio em todas as suas nuances, tanto o que tem de ruim quanto o que tem de bom. Nós trabalhamos para que eles percam só a liberdade, não a dignidade — diz Machado.
Quem viu as fotos e assistiu ao vídeo preparado para a exibição não saiu dali imune aos registros. Alguns visitantes choraram ao ver as imagens e ouvir os depoimentos dos presos. A universitária Cláudia Mascarenhas, em seu primeiro contato com a realidade de um presídio, disse ter ficado impressionada com o que viu.
— É chocante e faz repensar o que você realmente acha dessa questão toda, porque é muito fácil dizer que é bandido, não presta, tem mais é que ser preso. É interessante poder ver o outro lado, que não se pensa normalmente.
ServiçoExposição A Liberdade de OlharDe 3 a 7 de dezembro, a partir das 10h, na Praça Quinze de Novembro — Porto Alegre
Entrada gratuita
Veja mais imagens da exposição: 
http://www.clicrbs.com.br/rbs/image/0.null?w=800

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