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sábado, 22 de novembro de 2014

E agora?

E agora?
 BASTA


Mais um trabalhador da secretaria de Administração Penitenciária foi brutalmente assassinado.
E aí?
E daí?
E aí? Perguntamos nós, trabalhadores do sistema prisional que se já não bastasse ficar por doze horas “reféns” do descaso do estado que, lota nossas unidades mais que dobrando a população carcerária. Amontoando presos. Transformando as unidades em uma panela de pressão prestes a explodir. Vemos outro problema surgindo, agora, na rua.

E daí? Pergunta o estado que ignora os fatos. Ignora os funcionários. Inventando desculpas estapafúrdias. Alegando que fatos como este, são fatos isolados. Que, em nada tem a ver com a profissão da vitima.
E aí? Perguntamos novamente. O que faremos para nos proteger. O que faremos para reverter esta situação, sendo que, nem no nosso ambiente de trabalho conseguimos mudar nada. Somos reféns de 210, 220 presos de alta periculosidade, trabalhando sozinhos nos pavilhões, tendo que ter jogo de cintura para controlar inúmeras situações críticas causadas pelo estado (superpopulação carcerária, condições precárias de convívio, demora no julgamento das penas, dos benefícios, dentre outras).
E daí? Diz o estado que, como nos paga (um baixíssimo salário principalmente quando começamos a analisar o perigo que corremos) e nada mais faz para melhorar nosso ambiente de trabalho. Ignora nossa profissão. Ignora as nossas dificuldades, que ele sabe que temos. Que ele sabe que é o responsável, mas, que nunca assume nada. Procurando culpados no ambiente prisional e não fora dele, na administração. Que nos obriga a trabalhar em um ambiente insalubre, principalmente, psicologicamente, e cobra quando muitos de nós não suportamos a pressão do dia a dia.
E aí? Pergunta-se. O que faremos? Antigamente eram somente doze horas de tensão. Hoje, vinte quatro. Antigamente nossa preocupação estava conosco. No trabalho. E agora? E agora o que faremos, pois, nossas preocupações ultrapassaram os limites, ou melhor, as muralhas das penitenciárias e esta ao nosso lado. Rondando nossas famílias.
E daí? Responde o estado. Afinal este desespero não tem fundamento. Não há qualquer ligação entre uma morte e outra. São simplesmente fatalidades. Coincidências. Ademais como estado rico e poderoso, nossos funcionários, principalmente os que trabalham com a segurança, são muito bem remunerados e tem uma proteção até melhor que a sociedade em geral. Não podemos ser responsabilizados se eles saem de casa fora de hora (o assassinato do AEVP foi entre cinco e seis horas da manhã), e esquecem a roupa vermelha e azul, e, principalmente a capa.
 E aí companheiros? E aí?


Asp e escritor Marc Souza

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