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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ele jamais dispararia contra PM, diz irmão de agente morto em São Carlos

Ele jamais dispararia contra PM, diz irmão de agente morto em São Carlos

Suposta troca de tiros ocorreu durante a madrugada desta terça-feira (6).
Outro homem está internado; PM e DIG vão apurar a abordagem policial.

Do G1 São Carlos e Araraquara
Irmão de agente penitenciário acredita em confusão da PM em abordagem em São Carlos (Foto: Reprodução/ EPTV)Irmão de agente penitenciário acredita em confusão da PM em abordagem (Foto: Reprodução/ EPTV)









"Ele jamais iria disparar contra um policial militar". A afirmação é de Valmir Onório Ferreira, irmão do agente penitenciário Edson Honório Ferreira, de 46 anos, morto durante uma suposta troca de tiros durante uma abordagem policial, em São Carlos (SP), na madrugada desta terça-feira (6). Para os policiais, a vítima e seu parceiro, que também é agente e está internado, são suspeitos de tentar furtar uma empresa de materiais de construção. A Polícia Militar e a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) vão investigar o caso.

Ex-policial militar, o irmão não acredita que Edson tenha reagido. "Todo pessoal que trabalha com esse bico tem ciência que tem que se render, deitar no chão, durante uma abordagem policial. Eles disseram que meu irmão fez menção de usar a arma, por isso foi feito o disparo", afirmou Valmir.
Ele ainda acredita que a PM pode ter confundido o irmão e o colega com assaltantes da empresa. "Ele tem 16 anos de estado, trabalhando na penitenciária. Nem mesmo [faria] o furto de um cofre, que precisaria de umas seis pessoas para pegar. Como uma pessoa franzina ia fazer esse furto? Eu espero que os fatos sejam esclarecidos e que a verdade venha à tona. Ele é pai de cinco filhos e a família dependia dele. E se esses policiais realmente erraram que sejam punidos pela lei", ressaltou.
Eu espero que os fatos sejam esclarecidos e que a verdade venha à tona. Ele é pai de cinco filhos e a família dependia dele. E se esses policiais realmente erraram que sejam punidos pela lei"
Valmir Onório Ferreira, irmão do agente morto
Um agente penitenciário, que é amigo das vítimas e que não quis se identificar, tambpem discorda da versão da polícia e disse achar pouco provável que os colegas tenham atirado. “Somos orientados a descer com as mãos na cabeça ou para cima para não oferecer nenhum risco ao policial que venha nos abordar", declarou.
Entenda o caso
Segundo a versão da polícia, Edson, que dirigia o carro, saiu do veículo atirando e foi alvejado no revide dos policiais. Ele morreu no local. O agente Lúcio Flávio de França, de 35 anos, levou seis tiros e está internado na Santa Casa. O estado de saúde dele é estável, informou o hospital.

Os agentes, que são de Ribeirão Preto, trabalhavam durante a noite, prestando serviço de monitoramento de cabos para uma empresa de telefonia. Segundo colegas, as equipes se deslocam para cidades da região onde há maior índice de furto de cabos. O G1 procurou a agência de segurança, mas ninguém atendeu as ligações. Já a empresa de materiais de construção não quis comentar o caso.
Abordagem
O capitão da PM Anderson César Navarrete informou que durante a madrugada o alarme da empresa de materiais de construção disparou e o serviço de monitoramento foi acionado. Segundo ele, os vigias contaram que os dois agentes penitenciários estavam dentro da empresa. “Com a presença dos vigias, eles se evadiram sem levar nada, deixando o cofre que iria ser carregado por um veículo porque era muito pesado”, disse o capitão o Jornal da EPTV desta terça.

Navarrete contou que os vigias ligaram para o 190 e passaram o número da placa e as características do veículo, uma Saveiro branca. Com isso, equipes da polícia foram ao local e, a 500 metros da empresa, localizaram o carro em uma estrada de terra.

“O local era bem escuro e na abordagem o que estava na posição do motorista efetuou vários disparos contra a guarnição. A equipe, para se defender dessa agressão injusta, revidou e acabou atingindo os dois. Um morreu no local e o outro foi socorrido. Nenhum dos policiais ficou ferido”, relatou o capitão.
Armas estavam regularizadas
Ainda de acordo com Navarrete, os agentes tinham porte de arma e estavam com duas pistolas calibre 38, sendo que uma delas estava com queixa de roubo desde 2010. “Os PMs envolvidos foram ouvidos no quartel e na Polícia Civil. O agente que está no hospital vai ser ouvido assim que tiver condições para passar a versão dele”, contou. Apesar disso, a Polícia Civil apurou que as armas estavam com a documentação em dia e eles tinham porte de arma.
Delegado Gilberto de Aquino em São Carlos (Foto: Reprodução/ EPTV)Delegado espera ouvir agente baleado que está
internado (Foto: Reprodução/ EPTV)
Investigação
A Polícia Civil já ouviu dois agentes penitenciários, que também faziam monitoramento de cabos perto do local da abordagem, além do dono da empresa que eles trabalhavam, os parentes das vítimas e os policiais envolvidos no caso.
"Temos testemunhas que afirmam que eles estavam nas imediações, mas não participaram de furto, então não vão responder por crime de furto nenhum. Com relação aos disparos, depende de um lado pericial que foi feito", disse o delegado Gilberto de Aquino.
O delegado espera que a outra vítima melhore para prestar depoimento. "Com relação à versão dos policiais militares que disseram que eles [os agentes] efetuaram os disparos, nós vamos ouvir a vítima e, se isso for contrariado, eles podem ser indiciados pelo crime de homicídio", afirmou Aquino.
Confundidos
O presidente do Sindicato dos Agentes de Escoltas e Vigilância Penitenciária do Estado de São Paulo, Antônio Pereira Ramos, disse que é comum servidores fazerem bicos. "Isso [o bico] é uma relação que existe até na PM. Pela condição financeira que o estado oferece, ele acaba se submetendo a esse tipo de serviço para que consiga sobreviver", afirmou.
Para ele, os agentes foram confundidos com criminosos. "Estamos entregando documento para a corregedoria da PM para a apuração dos fatos e temos certeza absoluta que houve um equívoco por parte da Polícia Militar", disse.
A Secretaria de Administração Penitenciária pediu urgência e rigor nas investigações.

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